um conjunto de fotografias que coletam jangadas perdidas ou dissolvidas na linha do horizonte de uma praia que flutua no espaço-tempo de amores perdidos no nordeste do Brasil.

Desde que cheguei olho pro mar e tenho procurado coletar jangadas. Estar sempre nesse busca coletora, que coleciona achados. Jangadas sao lindas nesse horizonte. Dependem cem por cento do vento, o que também abre espaço para muita reflexão poética. Elas aparecem e desaparecem num piscar de olhos e é difícil manter controle da direção na qual o vento as movimenta. Se dissolvem na linha do horizonte e se camuflam com ele facilmente.  Sao solitárias nessa imensidão. 

Existe talvez algo de melancólico em notar e coletar essas jangadas, especialmente nesse lugar de memórias, historia e família. Toda vez que venho pra ca, sou uma pessoa diferente da ultima vez que vim, e mergulho das profundezas de sentir, olhar e pensar em tempos distantes. Sejam eles parte de um passado nostálgico, ou sejam eles inquietudes sobre o futuro incerto. 

As vezes as jangadas estão tao distantes que voce só enxerga um ponto no horizonte. Nao sei porque olhar pro mar me lembra os amores que eu ja tive e as vezes é um pouco dolorido. Mas a paciência é também melhor amiga da coerência nas escolhas, e nesse sentido eu não quero nunca mais me apressar por medo de estar só. Nao tenho mais esse medo, eu acho. Estar só é bom. Como as jangadas. Sempre tenho as jangadas.

fotografia com celular// ceará 2020

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